A Montanha Mágica

A Montanha Mágica

A Montanha Mágica é um livro datado do século XX, mais especificamente lançado no ano de 1924, em um período logo após a Primeira Guerra Mundial. Escrito pelo pensador alemão Thomas Mann, o livro é tido como uma das obras mais influentes no meio literário e filosófico do século passado.

Apesar de lançado em um período pós guerra, A Montanha Mágica começou a escrito 12 anos antes, em 1912. Com o seu nome original “Der Zauberberg” – em alemão –, a obra foi claramente inspirada no contexto pessoal da vida de Mann naquela época. Vendo que a Europa tinha pensamentos divididos e sua mulher, Katharina Mann, havia sido internada em um sanatório devido a uma tuberculose, o personagem principal do livro vive momentos praticamente idênticos.

No Brasil, a tradução foi feita por Herbert Caro e a edição pela Nova Fronteira. Foi lançado por aqui no ano de 1980, contendo 801 páginas.

 

A dificuldade de terminar o livro

Como já falado, A Montanha Mágica foi uma obra escrita em um momento delicado do território europeu, principalmente para quem vivia em um dos impérios protagonistas da Primeira Guerra – o império alemão.

Por esse motivo, e por alguns problemas com o seu irmão Heinrich Mann, Thomas parou a sua escrita no ano de 1915, se negando a dar um final para o romance. No entanto, a partir de pedidos de conhecidos e amigos, ele reiniciou a escrita logo após o fim da guerra, no ano de 1919.

A partir daí, foram mais cinco anos de trabalho para, enfim, em 1924, a obra ser publicada. Nesse meio tempo, no entanto, Thomas Mann escreveu outra obra, a qual começou em 1917 e publicou em 1918. Esta, por sua vez, não era um romance, mas sim uma exposição de ideias, chamada de “Reflexões de um Homem Não-Político”.

Nesse tempo, Mann defendia com veemência a posição do seu império na Primeira Guerra Mundial. Ele dizia que tinha raízes fortes e o outro lado queria impor dogmas do ocidente para todo o mundo. No entanto, no contexto da Segunda Guerra Mundial, muitos anos depois, ele passou a ter uma postura consideravelmente mais crítica em relação ao posicionamento do seu país.

 

Enredo do livro

(ATENÇÃO: Esse capítulo contém spoilers sobre o enredo)

Apesar de ser um romance, muitas vezes a obra A Montanha Mágica é tratada como um livro sem uma história real, sendo apenas o reflexo dos pensamentos de Mann na época. No entanto, ainda que não conte com acontecimentos grandiosos, possui protagonista e personagens secundários que se interagem entre si, além de um plano de fundo para todo o contexto.

A Montanha Mágica tem como protagonista um engenheiro naval jovem, de nacionalidade alemã e natural da cidade de Hamburgo. Seu nome é Hans Castorp e a história começa com ele indo visitar o seu primo Joachim Ziemssen em um sanatório que tratava de doenças respiratórias nos Alpes Suiços.

Isso parecia uma boa ideia, já que ele poderia visitar o seu familiar e ainda tratar uma anemia que o atingia nos últimos meses. No entanto, com o passar do tempo, Hans Castorp permanece no sanatório, devido a suspeitas de um problema parecido com uma tuberculose pulmonar.

Essa condição faz com que o protagonista permaneça no sanatório por anos. Sempre que ele está prestes a sair a doença piora e ele acaba tendo de ficar. Embora no início o protagonista não goste desse impedimento, com o tempo ele encara como uma benção e diz que aquilo é a liberdade da vida normal.

Em outras palavras, ele defende que agora pode se afastar da carreira, da família, das obrigações do dia a dia, pode se sentir livre e apenas aguardar o momento de sua morte. No entanto, na mesma medida que o personagem se desprende das coisas mais rotineiras da vida, é notável que ele está mais perto de questionamentos filosóficos e políticos, que o acometem constantemente.

Com o passar do tempo, é possível perceber que o sanatório se transformou em uma espécie de Europa daquela época. Isso se dá pelo fato de que os personagens do romance – acredite, são muitos – são a personificação de questionamentos e ideais que existiam naquele momento na Europa.

Os mais importantes e dignos de atenção são Lodovico Settembrino e Leo Naphta. É importante observar que os dois representar ideais opostos, que estavam em luta na Europa naquele contexto. No caso de Settembrino, este representa os ideais humanitários e em busca do conhecimento, mais relacionados com a França daquela época. Já no caso de Leo Naphta, este representa os ideais do império alemão.

No caso do primeiro, ele pode ser descrito como um humanitário e enciclopedista. No caso do segundo, podemos dizer que é um jesuíta totalitário. Ao longo de todo o livro, são desenvolvidos vários embates filosóficos e políticos, protagonizados principalmente por Castorp e os dois companheiros de sanatório.

Outro fator interessante a ser observado na obra é o modo como o tempo passa. O livro contém sete capítulos. Destes, os primeiros cinco são usados para descrever, com uma grandeza de detalhes, tudo que aconteceu no primeiro ano do protagonista no sanatório. Já os dois últimos capítulos refletem todos os próximos seis anos de Castorp no lugar, passando assim de forma bem mais rápida.

Isso pode ser explicado a partir do costume que o personagem desenvolve com o lugar. Todas as coisas que ele achava diferente agora são normais, e assim pode ser descrita a nossa vida.

Ao final da história, Hans Castorp vai para as fileiras da Guerra. Nesse momento, Mann sugere que o destino provável do protagonista é a morte. Um dos maiores questionamentos filosóficos da obra está no sentimento de individualidade do ser humano. Apesar de ter amadurecido intelectualmente durante todos esses anos, Hans Castorp não se tornou único, uma vez que virou apenas um número entre milhares de soldados da Primeira Guerra Mundial.

Importância de A Montanha Mágica

A obra A Montanha Magica é uma das mais importantes naquele contexto sócio político. O Le Monde colocou essa obra na lista dos 100 livros mais importantes e influentes do século XX.