Elipse e Zeugma – Figuras de Linguagem

Elipse e Zeugma | A gramática da língua portuguesa é uma matéria extensa e complicada, com diversas variáveis. É responsável por tecer regras e conceituar assuntos que ocorrem na comunicação, seja oral ou não. Um dos assuntos mais extensos da gramática portuguesa são as figuras de linguagem. 

As figuras de linguagem são recursos de expressão responsáveis por deixar a comunicação mais dinâmica entre dois ou mais indivíduos. Se quiser saber mais sobre as figuras de linguagem, quais são as mais importantes, para que servem e vários outros tópicos, clique no link a seguir: Figuras de Linguagem – O que são? Quais as principais?

No texto de hoje, falaremos da Elipse e da Zeugma, figuras de linguagem utilizadas tanto na linguagem oral do dia a dia, para dar mais dinamismo às conversas, quanto em textos, para dar mais fluidez e evitar a repetição de termos ou palavras. 

O que é a Elipse? 

A Elipse é uma figura de linguagem da língua portuguesa. É identificada a partir da omissão de uma palavra ou termo da frase, tendo em vista que esta já estaria subentendida pelo contexto. Uma das principais funções da elipse é evitar a repetição de termos em uma fala ou texto, além de dar mais fluidez. 

A elipse é considerada uma figura de linguagem de sintaxe – também conhecida como figura de construção. Essa área da gramática é responsável por estudar as palavras como elementos constituídos em uma sentença, analisando fatores como concordância, ordem e subordinação. 

Exemplos de elipse 

A Elipse é uma das figuras de linguagem mais simples de serem entendidas. Isso se deve ao fato de que a omissão de termos numa frase é, geralmente, bem notada, apesar de natural em nosso dia a dia. Veja abaixo alguns exemplos de elipse: 

  • “Comprei vários biscoitos na promoção do supermercado.”; 

O tipo de elipse acima é o mais comum, ocorre a todo momento. Conhecido como elipse de sujeito, consiste na omissão do sujeito da frase. Na sentença acima, houve a omissão do termo “eu”. 

  • “Na cozinha, minha mãe, meu tio e minha irmã”; 

A elipse acima omite o termo “estava”. O emissor da mensagem diz que sua mãe, seu tio e sua irmã estavam na cozinha, mas sem a presença do verbo; 

  • “A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos” Carlos Drummond de Andrade; 

O termo “se” foi omitido da frase acima, sendo então entendido pelo contexto. 

O que é a Zeugma?

Outra figura de linguagem de sintaxe – ou de construção – é a Zeugma. Esta, por sua vez, é considerada como um tipo específico de elipse. A diferença entre as duas é sutil, mas fácil de identificar. 

Diferentemente da Elipse, no caso da Zeugma o termo oculto já foi mencionado anteriormente. É uma figura de linguagem utilizada para deixar o texto – ou a fala – mais limpa, evitando a repetição de termos e palavras. Veja abaixo alguns exemplos de Zeugma: 

  • “Eu sou secretário na empresa. A ana, minha chefe; 

No exemplo acima, o emissor da mensagem omitiu o verbo “é” da segunda frase. A figura de linguagem é considerada Zeugma, já que uma das flexões do verbo (nesse caso, “sou”) já tinha sido utilizada anteriormente. 

  • “Eu torço Pro Atlético-MG. O Matheus, para o Cruzeiro-MG”;

Outro caso de Zeugma, já que o verbo “torcer” foi omitido, mas já tinha sido mencionado anteriormente.

É importante observar que, para o uso da Zeugma, torna-se obrigatório a utilização da vírgula ou do ponto e vírgula no local onde o termo é omitido. Como no caso acima, para a omissão do verbo “torcer”, o emissor da mensagem opta por apenas adicionar uma vírgula, evitando assim a repetição de palavras. 

Diferença entre Elipse e Zeugma

Como falado anteriormente, a diferença entre Elipse e Zeugma é sutil, mas fácil de ser identificada. Basicamente, trata-se de Elipse quando o elemento oculto não foi mencionado anteriormente, ou seja, o entendimento se dá apenas pelo contexto. Por outro lado, trata-se de Zeugma quando o termo oculto já foi mencionado anteriormente.

Veja dois exemplos de Elipse e Zeugma abaixo:

  • “Corri uma meia-maratona de 21km ontem.” (Elipse, tendo em vista que o sujeito “eu” está oculto e não foi mencionado anteriormente).; 
  • “Comprei três laranjas no mercado. A Ana, duas.” (Zeugma, uma vez que o verbo “comprei”, que foi emitido na frase, já havia sido mencionado anteriormente).;