Era de Vargas

Era de Vargas – A história do Brasil conta com grandes personagens que tiveram enorme influência na sua época, que são refletidas e estudadas até os dias de hoje. Um dos personagens mais marcantes para a história política do país é, sem dúvida, Getúlio Vargas.

Getúlio Vargas foi um político e advogado brasileiro nascido em 19 de abril de 1882, na cidade de São Borja, no Rio Grande do Sul. Filho de um general do exército, Manuel Vargas, Getúlio foi protagonista de um período marcante da política brasileira no século XX: a Era Vargas.

A Era Vargas foi um período político no Brasil que se estendeu dos anos de 1930 até o ano de 1945. É assim nomeado dado o fato de que, nessa época, Getúlio governou o país por 15 anos de forma consecutiva. Historiadores dividem o período em três: Governo Provisório (1930 até 1934), Governo Constitucionalista (1934 até 1937) e Estado Novo (1937 até 1945).

 

A Revolução de 1930 – Era de Vargas

No ano de 1930, o Brasil entrava em uma crise econômica decorrente da quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929. A partir daí, a “política do café-com-leite”, que consistia na junção dos poderes das oligarquias paulista e mineira, foi quebrada. Neste ano, pela política, a oligarquia mineira deveria assumir o poder com o apoio da paulista. Contudo, os paulistas indicaram Júlio Prestes à presidência. Como resposta, o governador mineiro Antônio Carlos de Andrada apoiou Getúlio Vargas, membro da oposição gaúcha.

Mesmo com o apoio de Minas Gerais, Getúlio Vargas perdeu as eleições. Inconformados com o resultado, os estados Paraíba e Rio Grande do Sul se juntaram a Minas e organizaram um movimento armado, que culminou em um golpe de Estado realizado em 3 de Outubro de 1930. Dessa maneira, Vargas assumiu a liderança do chamado Governo Provisório no dia 3 de novembro do mesmo ano.

 

Governo Provisório (1930-1934) – Era de Vargas

         O Governo Provisório foi um período derivado da Revolução de 1930. Tinha por objetivo reorganizar a política no Brasil depois da dissolução da República Velha. Para tais fins, Vargas buscou centralizar os poderes do país, dissolvendo órgãos de cunho legislativo.

O período ainda foi marcado pela substituição dos governantes de cada estado por membros do exército militar, já que esses foram de grande ajuda para a chegada ao poder em 1930. Essa substituição causou tensões entre as oligarquias, o que culminou na Revolução Constitucionalista de 1932, quando a oligarquia paulistana, por julgar que o governo de Vargas estava tratando São Paulo como “terra conquistada”. Outra crítica ao governo era a de que os tenentes que governavam o estado na época eram de outros lugares (como João Aberto Lins, que era pernambucano).

O movimento, que tinha como objetivo a retirada de Vargas do poder, foi derrotado militarmente. Ainda assim, Vargas convocou eleições para o Constituinte, além de nomear um interventor paulista para o estado de São Paulo (Armando Sales de Oliveira).

Essa época foi marcada pela criação do Ministério da Revolução, responsável pelo Trabalho, Indústria e Comércio, que começara a escrever a legislação trabalhista. A economia ganhou investimentos na industrialização, já que Vargas ansiava por diminuir as importações.

 

Governo Constitucional (1934-1937) – Era de Vargas

         A partir da Assembleia Nacional Constituinte convocada de 1933 foi criada uma nova constituição (Constituição de 1934). Diante disso, deu-se o início do Governo Constitucional que, por votação do Parlamento, teve Getúlio Vargas como comandante do país.

As principais realizações acontecidas nesse período foram:

  • A implementação do Código Eleitoral: Entre outras coisas, previa o voto direto e a implementação do voto feminino;
  • Congresso com representação classista: Sindicatos ganharam poderes a fim de negociar com as forças políticas direitos para as minorias das quais eram representantes;
  • Criação do DPDC: O Departamento de Propaganda e Difusão Cultural era responsável por promover a cultura do país. Contudo, este departamento censurava produções que eram contrárias às políticas vigentes.

A época também foi marcada por uma perseguição a qualquer ideia comunista e de esquerda. Grupos de extrema direita forjaram documentos que diziam que os comunistas planejavam ataques ao governo brasileiro, e os veicularam pelas grandes mídias. Tal ação gerou medo na sociedade, o que possibilitou um decreto de “estado de guerra” (contra o Comunismo). Tal política possibilitou a dissolução do Congresso e a elaboração de uma nova constituição, recheada de autoritarismo. Tal constituição viabilizou o Golpe de 1937, instaurando-se, assim, o Estado Novo.

 

O Estado Novo (1937-1945) – Era de Vargas

O Estado Novo foi um regime político caracterizado pela centralização do poder nas mãos do governante Getúlio Vargas. A partir desse momento foi proibida a atividade de qualquer partido político de oposição, além da concentração das decisões apenas em cunho federal. Para simbolizar tal concentração, em 1937, foi realizada uma cerimônia que queimou todas as bandeiras estaduais.

No âmbito social, o período foi marcado pela construção da imagem de Vargas como “pai dos pobres”. Além da Justiça do Trabalho em 1939, houve a Consolidação das Leis Trabalhistas, conhecida como CLT, em 1943.

Já na economia, a época contou com a criação de grandes empresas nacionais voltadas para a indústria de base, tais como a Fábrica Nacional de Motores em 1942, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em 1941 e Companhia Vale do Rio Doce em 1942.  A construção da CSN foi subsidiada pelos Estados Unidos, a partir da promessa de que a organização forneceria aço para o país americano na Segunda Guerra Mundial, evento em que o Brasil fez parte com tropas da FEB, que combateram na Itália.

A partir da derrota do nazismo na Europa, pensamentos liberais e anti totalitários começaram a se espalhar pelo país. A partir daí, com a dissolução do regime, Getúlio Vargas candidatou-se para a presidência e continuidade de seu governo. As campanhas do governante eram chamadas de “queremismo” (provém da expressão “Queremos Vargas”) e conseguiram ganhar bastante popularidade pelo território brasileiro. Diante disso, Góis Monteiro (na época, Ministro da Guerra), tirou Vargas do poder e impediu sua candidatura a presidente. As eleições escolheram Eurico Gaspar Dutra para o cargo e, dessa maneira, deu-se o fim do Estado Novo.

Getúlio Vargas voltaria a ser o governante máximo do Brasil em 1951, quando foi eleito presidente da república por voto popular. Tal governo durou até 1954, quando Vargas suicidou devido à pressão dos militares que pediam sua renúncia.