Juazeiro do Norte

Quem limita as opções de turismo no nordeste brasileiro às belas praias de sua região costeira certamente não conhece cidades como Juazeiro do Norte, no sertão cearense.

Juazeiro está bem distante da capital do Estado, Fortaleza, cerca de 490 quilômetros e, portanto, está bem longe do mar. É a terceira cidade mais populosa do Ceará, atrás apenas de Fortaleza e Caucaia. Os mais de 270 mil habitantes de Juazeiro fazem da cidade o principal centro econômico e comercial da Região Metropolitano do Cariri.

Para além da grande população e da centralidade econômica em sua microrregião, o que atrai milhões de turistas todos os anos para a cidade de Juazeiro é o forte aspecto religioso da cidade.

Junto com Aparecida do Norte, em São Paulo e Nova Trento, em Santa Catarina, Juazeiro forma a trinca das cidades que mais recebem turistas por motivos religiosos. Assim como nas duas cidades citadas, a capital do Cariri é muito marcada pela religião católica e por uma figura específica. Se no caso paulista a grande estrela é a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e no caso catarinense a Madre Paulina, primeira santa brasileira, em Juazeiro o grande nome que atrai o turismo religioso é Cícero Romão Batista, Padre Cícero, ou Padim Ciço para os mais devotos.

O padre dos séculos XIX e XX se tornou uma figura icônica e lendária na cidade e se tornou uma espécie de padroeiro do sertão nordestino por sua história muito relacionada à mística e a política de proteção do sertanejo. Além de um santuário, Juazeiro tem como sua principal atração turística uma estátua de 27 metros de altura instalada na colina do horto, sendo vista por toda a Juazeiro.

Nascido na cidade cearense Crato em 1844, Padre Cícero fez sua carreira clerical em Juazeiro do Norte, onde faleceu em 1934, com 90 anos de idade. Sua figura é controversa, sendo atribuídos a ela tanto milagres como uma série de dúbios conchavos políticos com líderes da região. A verdade é que para o juazeirense e para o povo católico nordestino e de todo o Brasil, a figura de Padim Ciço é santa e, por isso, atrai mais de dois milhões de pessoas todos os anos no dia 20 de julho, data marcada pelo que seria o primeiro milagre convertido pelo sacerdote, quando ele ministrou uma hóstia que se transformou em sangue na boca da beata Maria de Araújo.