Quem foi Thomas Hobbes?

Thomas Hobbes foi um filósofo e matemático inglês, autor de obras influentes no campo político e no campo social, como Leviatã e Do cidadão. Famoso pela frase “o homem é o lobo do próprio homem”, a qual significa que o ser humano é seu próprio inimigo, Hobbes defendia a ideia de um poder centralizado e forte, além de dizer que os dogmas cristãos deveriam ser o norte para a forma de governar do(s) comandante(s). O filósofo ainda apoiava o pensamento empirista, o qual afirmava que o conhecimento derivava, totalmente ou principalmente, das experiências sensoriais do ser humano.

Quem foi Thomas Hobbes?

thomas hobbes - história
Thomas Hobbes – história

Thomas Hobbes nasceu no dia 5 de abril de 1588, na Inglaterra, período em que o país era governado pela Dinastia Tudor. Seu pai era um vigário católico que foi transferido para outra cidade enquanto Hobbes tinha apenas 7 anos. Diante disso, fixou sobre a guarda de seu tio Francisco. O filósofo estudou em sua infância nas escolas de Malmesbury e depois e Westport. Por ter mostrado sua capacidade intelectual nesses colégios, seus estudos foram financiados pelo seu tio em Magdalen College, unidade da Universidade Oxford.

Foi na faculdade, que era voltada para os estudos de Aristóteles e Platão, que Hobbes descobriu sua divergência quanto às ideias clássicas dos filósofos gregos. Em sua autobiografia, o inglês disse que sua primeira viagem, e a que mais o inspirou, foi a feita como guardião de William Cavendishh, terceiro duque de Devonshire, em 1610, quando visitou países da Europa como Alemanha, Itália e França.

Trabalhou em conjunto com Francis Bacon, o qual influenciou bastante suas ideias. Hobbes também conheceu Galileu Galilei em 1636, encontro que o influenciou no desenvolvimento de suas teorias sociais, como a ideia do Leviatã.

Fugiu para Paris durante a Guerra Civil Inglesa, período em que foi professor de matemática do futuro rei da Inglaterra Carlos II. Decide voltar para as terras natais em 1651, mesmo período em que publica seu livro de mais sucesso, Leviatã.

A partir de suas ideias e difusão de seus livros, Hobbes foi bastante perseguido e julgado, basicamente pelos seus pensamentos matemáticos e ateístas. As ideias do filósofo foram atacadas, principalmente, pelo bispo John Bramhall, que o tachava como ateu. Suas obras chegaram a ser queimadas em Oxford no ano de 1666, logo depois da publicação de seu livro Do cidadão.

Morreu de causas naturais no dia 4 de dezembro de 1679, aos 91 anos. Embora muito questionado durante sua época, suas obras tiveram grande influência, e são estudadas até os dias atuais. Thomas Hobbes é constantemente lembrado entre as maiores mentes da história da humanidade.

Thomas Hobbes: principais ideias 

Leviatã (1651)

A obra mais famosa do filósofo Thomas Hobbes é, sem dúvida, Leviatã, título dado em referência ao monstro bíblico de mesmo nome. Conhecido também como “Matéria, Palavra e Poder de um Governo Eclesiástico e Civil”, o livro foi publicado em 1651, quando o inglês tinha 63 anos.

É tido, por muitos, como uma das obras mais influentes na história no âmbito político. Nesta, o filósofo defende a ideia de que a guerra (que, para ele, era um estado natural do homem), só poderia ser contida por um poder forte e centralizado.

A primeira parte do livro trata inteiramente da visão de Hobbes para com o Homem como espécie. Para o filósofo, o Estado Natural da raça humana era egoísta e o homem era inseguro por si só. A frase mais conhecida do teórico inglês é derivada desse período do livro “O Homem é o lobo do próprio homem”. A partir daí, em sociedades sem um governo forte e centralizado, no momento em que faltarem recursos para todos ou dois grupos desejarem o mesmo recurso, as disputas começarão, o que resultaria sempre em guerra. Para Hobbes, nenhum homem possui características que os levem a se sobressair totalmente sobre outro, o que faria com que a guerra fosse uma situação infinita.

Em se tratando da Guerra, Thomas Hobbes diz que está é um período inútil para todas as sociedades, já que os constantes conflitos impedem os povos de buscar conhecimento, além de não poderem realizar um trabalho produtivo. Além disso, o estado de guerra impossibilitaria o desenvolvimento da cultura e da arte, já que não teria lugar e nem tempo para tal.

Apesar de o filósofo defender a ideia de que a guerra é uma consequência do estado natural do homem, este também diz que o homem, a partir das decorrências dos conflitos, anseia pela paz.

A segunda parte do livro é mais voltada aos estudos acerca do Estado, seus poderes, deveres e influência. Neste período da obra Hobbes, em suma, defende a ideia de um governo centralizado e poderoso, justificando esse ato com o pensamento de que apenas um poder assim poderia proteger a sociedade de ataques estrangeiros ou até conflitos internos.

Contudo, em Leviatã, o filósofo não diz, em nenhum momento, que esse poder deve ser exercido por um único monarca ou imperador. No capítulo 17, o autor descreve que o governo pode ser feito tanto por um só indivíduo como por uma assembleia de pessoas, que poderia ser feita, até, por todas as pessoas de um reino (como uma democracia, por exemplo). Tal poder seria o Leviatã (título do livro), o deus mortal. Por outro lado, Hobbes era mais inclinado ao Absolutismo, já que dizia que nenhum grande Estado era regido por um parlamento.

O pensador ainda dizia que, em praticamente nenhuma hipótese, o contrato do povo com o governante poderia ser rompido, o que fazia com que o governo, na maioria das vezes, não pudesse ser desfeito. Contudo, no capítulo 21, é dito que, em casos do poder não conseguir mais exercer sua função de proteger a população, o indivíduo pode ser tornar livre e proteger a si mesmo e sua família. Esse pensamento é derivado da ideia do filósofo de que todos os homens precisam ser protegidos e tal direito não é rompido por nenhum pacto.

Apesar do poder soberano de um governo, Hobbes partilhava do pensamento que o monarca (ou o parlamento) deveria fazer consultas a conselheiros e indivíduos sábios. Naquela época, era comum a existência do cargo de Conselheiro do Rei, que norteava o comandante em grandes decisões. O filósofo ainda dizia que, para o pleno funcionamento do governo, o Estado não deveria estar abaixo das leis e sim acima destas, tendo o poder de infringi-las a todo momento.

Além disso, no capítulo 31, o filósofo descreve que as leis que devem reger o pensamento de um Rei ou de um Parlamento são as leis de Deus, pois este é o soberano com poder onipotente.

Por último, Hobbes fala da importância da existência de um monarca ou de um Parlamento composto por filósofos. Para ele, a filosofia moral guiaria o estado a uma prosperidade natural. Tal pensamento deriva de grande influência dos pensadores clássicos Sócrates e Platão, os quais Hobbes negava as ideias.

Thomas Hobbes e o Contrato Social

As teorias contratualistas são estudos feitos por teóricos políticos que defendem a ideia de um pacto social em que os habitantes de uma nação, povo ou qualquer outro tipo de sociedade entregam sua total liberdade a um poder centralizado e forte. Nesse âmbito, os filósofos mais influentes são os Iluministas Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau.

Apesar da comum ideia de entrega da liberdade em troca da segurança, os três pensadores demonstravam várias divergências em suas obras. A título de exemplo, para Hobbes, o contrato social deveria ser feito, pois o homem, em seu Estado Natural, é egoísta, o que gera conflitos e guerras, as quais só podem ser impedidas pela existência de um forte governo. Já para John Locke, o homem não é bom nem mal, e o pacto deveria ser feito pela insegurança que o homem tem em relação as suas ações, o que pode ser reparado pela existência de um Estado que atua em prol dos direitos do cidadão. Enquanto isso, Rousseau diz que o Estado Natural do homem é uma atividade improdutiva, pois o homem é individualista. A partir daí, um Estado poderia organizar uma sociedade produtiva, pois suas ações seriam em benefício da vontade geral.

Além disso, enquanto Hobbes dizia que o poder só poderia ser destituído se não pudesse mais proteger sua nação, Locke defendia a ideia de que o Estado poderia ser deposto em casos de falhas sucessivas. Já para Rousseau, o governo poderia ser dissolvido caso violasse a vontade geral e não governasse em favor do bem comum.

Thomas Hobbes (obra mais famosa “Leviatã”) defendia a ideia de um regime político absolutista, embora suas teorias também aceitassem outros tipos de governo, contanto que com poderes fortes. Locke (de obra mais famosa “Segundo Tratado Sobre o Governo”) preferia a Democracia representativa, em que uma Assembleia eleita pelo povo tomasse as decisões políticas. Rousseau (de obra mais famosa “Sobre o Contrato Social”) dizia que, em casos de estados pequenos, o modelo ideal era a democracia direta, mas que, se fosse inviável pelo tamanho da nação, a democracia representativa também poderia funcionar.

Além dos três filósofos mais famosos que desenvolverem teorias do Contrato Social, obras nesse viés também foram escritas por autores da Idade Moderna, como Kant, Calvino e Socino.

Outras obras de Thomas Hobbes

         Além de Leviatã, publicado por Thomas Hobbes em 1651, o filósofo escreveu outras obras influentes que são estudadas e analisadas até os dias de hoje. Nestas, o pensador descreve ideias como seu pensamento empirista, ou seja, ele acreditava que todo o conhecimento humano vinha através de formas sensoriais, do método indutivo, que nada mais era que o conhecimento é obtido, e somente obtido, a partir da experiência no mundo real.

Além dessa ideia, o filósofo também apresenta sua teoria materialista. A teoria materialista de Hobbes consistia na negação de qualquer ser imaterial. Para ele, todas as coisas existentes no mundo e fora dele eram composto por matéria. Tal pensamento foi bastante criticado pela igreja, já que a ideia de Deus formado pela mesma matéria que nos compõe contrapunha os dogmas absolutos da religiosidade na época.

Outra ideia apresentada pelo autor inglês foi o mecanicismo. O mecanicismo era a ideia de que toda a existência humana e todos os atos feitos por nós eram mecânicos e previstos para acontecer. Para ilustrar essa teoria, Hobbes diz que o homem poderia ser descrito como um relógio, que todos os seus movimentos são daquela maneira pelo fato de serem programados assim. Ainda nesse pensamento, o filósofo dizia que, assim como para a construção de um relógio fosse necessário um relojoeiro, para nossa construção era necessária a existência de um ser superior (Deus).

Algumas outras obras escritas por Thomas Hobbes que merecem ser citadas além de Leviatã e De Corpore são: De Homine de 1658, De Cive de 1642, Translation of Thucydides’s History of the Peloponnesian War de 1629, Treatise on Human Nature de 1650, The Elements of Law Natural and Politic de 1640, Letters upon Liberty and Necessity de 1654, além das traduções para inglês das aventuras de Ilíada e Odisséia, publicadas pelo autor em 1675.