Cerrado

Você provavelmente já ouviu que o Brasil é um país com proporções territoriais. Em extensão territorial, somos o quinto maior país do mundo, com mais de oito milhões de quilômetros qualidades. Quando o assunto é América do Sul, a disparidade do Brasil para o restante dessa parte do continente é ainda maior: é com folga o maior país dessa região, fazendo com que, consequentemente, apresente uma grande variedade em diferentes segmentos: âmbito social, ambiental, animal, entre outros.

Essa grande extensão territorial faz com que o Brasil seja dividido em conhecidas regiões, que separam o país geograficamente utilizando alguns quesitos para agrupar os nossos estados. No entanto, quando nos atemos a algumas características mais específicas e naturais do nosso território, o que faz essa separação da forma mais correta são os biomas.

Biomas, por definição, tratam-se basicamente do conjunto de ecossistemas terrestres ou seres vivos. São unidades biológicas ou espaços geográficos com determinadas características específicas que são definidas por seu solo, altitude, macroclima, fitofisionomia (vegetação), entre alguns outros critérios que serão mais explorados a seguir. Voltando para a origem da palavra, chegamos em um ecólogo americano com nome de Frederic Clements, que criou essa palavra ao definir os biomas como comunidades de plantas e animais com formações semelhantes. No entanto, esse conceito vem sofrendo algumas mudanças desde sua criação.

A questão é que, obviamente, os biomas possuem muitas semelhanças quando o assunto é vegetação, por exemplo, por representarem uma região baseado nesse princípio. Além disso, os fatores ecológicos que tem relação com latitude, longitude e, consequentemente, o clima. Desse modo, podemos dizer que os biomas são comunidades biológicas, apresentando diversidade de fauna e flora dentro de um ecossistema de semelhança de ambiente, como florestas tropicais úmidas, subtropicais, temperadas ou pluviais, além de savanas, desertos, praias, dunas, entre outros.

Para finalizar essa breve explicação sobre biomas de um modo geral e apresentar quais são os biomas do Brasil, deve-se dizer que, basicamente, os biomas terrestres possuem três tipos de seres que, teoricamente, possuem “funções”. Os vegetais são os produtores, os animais os consumidores e os fungos e bactérias são os decompositores.

Enfim, como dito acima, o Brasil é um dos maiores do mundo em extensão territorial e isso proporciona uma imensa riqueza quando o assunto é diversidade. O resultado são seis biomas diferentes, cada um com suas peculiaridades e um charme especial. Veja abaixo os biomas brasileiros e a taxa de correspondência no território nacional:

Amazônia – ocupa praticamente metade de todo o território do país, quase 50%
Caatinga – ocupa cerca de 10% do território, especialmente no nordeste
Cerrado – um pouco mais que a Caatinga, ocupando cerca de 24% do país, sendo grande parte do centro oeste
Mata Atlântica – no sudeste, corresponde a quase 13% do território
Pampa – no Sul, corresponde a 2% do país
Pantanal – também com aproximadamente 2% do território, está no centro oeste como o cerrado

Agora que você já sabe precisamente o que é bioma na concepção da palavra, precisa se aprofundar nesses seis citados para compreender de vez suas relações a fauna e flora das regiões, por exemplo. Nesse artigo, o nosso tema central será o cerrado, um dos biomas mais conhecidos, maiores e diversificados entre esses brasileiros, onde vamos tocar também em assuntos mais ligados à preocupação ambiental que acerca locais como esse pelo contexto que estamos inseridos atualmente.

Bioma Cerrado

cerrado
cerrado

Já ouviu falar da famosa Savana africana? Pois então, o Cerrado, além de ser o segundo maior bioma brasileiro, é conhecido também como uma das savanas mais ricas em biodiversidade do mundo, acima inclusive dessa presente na África. Cobrindo mais de 20% do Brasil, o Cerrado não é tão reconhecido quanto a Amazônia. Embora essas florestas estejam cobertas por uma área com a metade do tamanho da Europa, seus habitats nativos e sua rica biodiversidade estão sendo destruídos mais rapidamente do que a floresta tropical vizinha.

À espreita entre os campos áridos e arbustos característicos dessa região, encontram-se mamíferos tão grandes como o jaguar (Panthera onca), o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o tatu-canastra (Priodontes maximus) e o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus).

Abrindo-se em muitas das árvores retorcidas e retorcidas da região, há centenas de espécies de aves, como a seriema (Cariama cristata), a arara-azul (Cyanopsitta spixii), entre outras.

Existem também mais de 10.000 espécies de plantas, quase metade das quais não são encontradas em nenhum outro lugar do mundo.

Localização do Cerrado

É importante saber localizar o Cerrado no mapa para entender parte de suas características. É um bioma que pode ser considerado grande – o segundo maior do Brasil como já foi esclarecido – e que abrange muitos estados brasileiros. Segue a lista:

Amapá
Bahia
Distrito Federal
Goiás
Mato Grosso
Mato Grosso do Sul
Maranhão
Minas Gerais
Piauí
São Paulo
Tocantins
Rondônia

Outra relação importante que deve ser feita em relação ao Cerrado é sua ligação com diferentes bacias hidrográficas, todas de grande representatividade na América do Sul. Está localizado no Tocantins-Araguaia, no São Francisco e também na bacia da Prata. Isso é mais um fator que favorece toda a sua biodiversidade. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), existem mais de 10.000 fontes de rios no Cerrado, que fluem para 11 estados brasileiros. As reservas de água estão “escondidas” nas camadas de solo, onde estão os grandes reservatórios de água do bioma. É deste lençol freático que as plantas extraem o líquido de que necessitam durante os períodos de seca.

Características do Cerrado

Bem antes da chegada dos humanos na América do Sul central, esta região do interior do Brasil desempenhou um papel essencial em assegurar a sobrevivência de muitas espécies de fauna e flora. É o lar do bioma tropical mais antigo do mundo, o Cerrado, também conhecido como savana brasileira. Segundo Reuber Brandão, pesquisador da Universidade de Brasília, o Cerrado tem sido fundamental para abrigar espécies raras e endêmicas ao longo da história do planeta, especialmente durante os períodos de flutuação climática.

Localizada na região central de planícies altas do Brasil, cobre aproximadamente 25% da área de superfície do Brasil. Faz fronteira com a floresta amazônica ao norte, a mata atlântica ao sul e sudeste, e a região semi-árida da Caatinga a nordeste. A paisagem é caracterizada por terrenos planos pontuados por planaltos “chapadas” ou extensos quilômetros de comprimento.

Com mais de 10.000 espécies de plantas – 45% das quais são endêmicas, ou exclusivas da região – o Cerrado é a savana mais rica em biodiversidade do mundo. Apresenta geografia variada, variando de pastagens densas, geralmente escassamente cobertas por arbustos e pequenas árvores, até uma floresta quase fechada. Mas a maior floresta aqui é subterrânea: um enorme sistema de galhos e raízes enterrado o suficiente para sobreviver ao fogo e procurar água durante longas estações secas. Entre algumas espécies, até 70% das plantas são subterrâneas – e é por isso que o Cerrado é às vezes chamado de “a floresta invertida”.

Desmatamento do Cerrado

Com menos de 2% de sua massa terrestre designada como parques nacionais ou áreas de conservação, o Cerrado é uma das savanas menos protegidas do mundo. Em seu auge está a área protegida conhecida como Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, criada em 1961 no estado de Goiás, com uma área de 625 mil hectares. Ao longo das décadas seguintes, o parque foi reduzido ao seu tamanho atual, com 65.000 hectares.

Fora do parque, a taxa de destruição no Cerrado foi duas vezes mais rápida que a da floresta amazônica. De acordo com Fernando Tatagiba, diretor do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, quase 60% do bioma já foi destruído, com suas árvores pequenas e grandes áreas de pastagem se revelando fáceis de limpar. Parte da culpa foi a transferência de 1960 da capital do país para Brasília, no coração do Cerrado. O deserto foi entregue à infraestrutura, reescrevendo radicalmente a história da região.

Nos primórdios da exploração da terra nessa parte do Brasil, o solo era considerado muito ácido para o crescimento das culturas. Mas com o apoio do governo nacional na época, agrônomos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveram a agricultura na região. A abordagem escolhida foi aplicar grandes quantidades de cal e fertilizante ao solo para reduzir sua acidez. Nas últimas duas décadas, o Cerrado tem produzido lavouras como cana-de-açúcar, algodão, milho e soja. Segundo o governo brasileiro, a região é hoje responsável por quase 70% da produção de soja do país.

Mas o Cerrado também abriga animais em extinção, como tatus de três bandas, antas, onças e lobos-guará. O maior de todos os pássaros sul-americanos – a ema – também mora nessa região. Eles são fáceis de detectar no meio das plantações que não é seu habitat natural. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Cerrado abriga 67 espécies de mamíferos, 837 tipos de aves, 120 variedades de répteis e 150 espécies de anfíbios.

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é uma das poucas áreas remanescentes do Cerrado que está sendo conservada em seu estado natural. Segundo a UNESCO, a localização central da área protegida faz com que seja fundamental para a manutenção da biodiversidade do bioma. Também é um atrativo para muitos pesquisadores nacionais e internacionais. Nas últimas décadas, novas espécies de animais e plantas foram descobertas.

Flor do Cerrado

Como já mencionado, uma das grandes virtudes do cerrado é sua variedade, inclusive quando o assunto é flora e vegetação. Um desses vegetais é um dos mais famosos do Brasil, inclusive levando o nome do bioma aqui em questão: Flor do Cerrado é um grande gênero de plantas tropicais que apresenta um grande “cardápio” de espécies. São cerca de 200 árvores pequenas e arbustos floridos que estão incluídos nesse gênero. São nativas da América do Sul, obviamente, e tem como característica crescer entre um e três metros.

A Flor do Cerrado consegue tolerar sombras parciais, mas são mais características de crescerem e florescerem quando cultivadas em pleno sol. A orientação é que sejam plantadas em solo fértil e úmido, mas também bem drenado. Além disso, deve-se regar com regularidade e cuidado, com a finalidade de manter o solo homogêneo, principalmente no verão.

Árvores do Cerrado

Você já percebeu toda a riqueza e diversidade do Cerrado, tanto quanto o assunto são animais, como quando é flora. São mais de 500 diferentes espécies de vegetais em quase cem localidades diferentes espalhados por esse bioma no Brasil. No entanto, quando o assunto são árvores de ampla distribuição, esse número é muito mais restrito e pode haver uma análise direcionada de cada uma dessas árvores. São 28 espécies que ocorrem em uma área territorial muito mais reduzida do que o todo do Cerrado. Confira abaixo as dez principais árvores do Cerrado quando o assunto é ampla distribuição:

Annona coricea (araticum ou pindaíba)
Aspidosperma tomentosum (peroba-do-cerrado)
Brosimum gaudichaudii (mama-cadela)
Byrsonima intermedia (murici-do-cerrado)
Caryocar brasiliense (pequi)
Dimorphandra mollis (faveiro)
Erythroxylum suberosum (mercúrio-do-campo)
Ouratea spectabilis (folha-de-serra)
Qualea grandiflora (pau-terra)
Stryphnodendron adstringens (barbartimão)

Animais do Cerrado

Além dos vegetais, o Cerrado também apresenta uma grande variedade de animais, sendo algum deles muito interessantes e até inusitados. Alguns são mais conhecidos, como por exemplo, a anta e a jaguatirica, mas existem algumas variedades que podem lhe chamar a atenção. É o exemplo do Gato Maracujá, que é característico do Cerrado, que transita nas regiões da mata desse bioma pelas pontas de galhos e arbustos, graças a sua habilidade de dar grandes saltos. Ao falar desse animal, podemos voltar à Jaguatirica e destacar alguns assuntos relacionados a esse felino. Com hábitos noturnos e solitários, a jaguatirica se alimenta de animais pequenos e roedores e ainda é um dos felinos mais abundantes nos biomas do sul continente americano. O que de certo modo é surpreendente por toda a história que esse animal possui relacionado a caça e comércio.

Confira alguns outros animais característicos do Cerrado:

Tamanduá bandeira
Onça pintada
Logo guará
Anta
Capivara
Porco-do-mato
Onça parda
Tatu canastra
Coruja-buraqueira
Pica-pau do campo
Peixes (Pintado, Jaú, Mussum, Traíra, Barbado, Piapara)

Ainda podemos destacar o Cerrado como casa de boas partes de outros animais. Por exemplo, esse bioma abriga 13% das borboletas, além de 35% das abelhas. No geral, são quase três mil espécies de vertebrados catalogados no Cerrado.