Sujeito e Predicado – Enem e Concurso Público

Sujeito e Predicado. Você é daqueles que sempre têm dificuldades para identificar o sujeito e o predicado? Ou consegue identificá-los, mas não classifica-los? Então siga lendo esse texto. Neste post, falaremos sobre as diferenças entre o sujeito, o predicado e os seus respectivos tipos.

 

O sujeito: conceito

Iniciaremos abordando a definição de sujeito. O conceito mais comum utilizado para definir o sujeito é de que ele é o termo da oração de quem falamos algo. De fato, se analisarmos o frase “Ana fez um bolo.”, é possível perceber que é sobre Ana que se diz algo. Neste caso, afirma-se que ela fez o bolo.

Para descobrir quem é o sujeito, dois passos são necessários:

  • Localiza-se o verbo da frase.
  • Faz-se as perguntas “o quê” ou “quem” antes dele.

Uma vez que identificamos o sujeito, tudo o que sobra da oração é o predicado.

O predicado: conceito

O predicado é, portanto, tudo aquilo que se fala sobre o sujeito. No exemplo que mencionamos acima – “Ana fez um bolo” -, tendo em vista que “Ana” é o sujeito, o predicado é “fez um bolo.”. É interessante observar que todo predicado possui pelo menos um verbo.

Expostos os conceitos, é importante frisar que existem diferentes tipos tanto de sujeito como de predicado. É sobre esse assunto que trataremos a seguir.

Tipos de sujeito – Sujeito e Predicado

Há três tipos de sujeito:

  • Determinado – é aquele que pode ser claramente identificado na frase ao se realizarem as perguntas “o quê?” ou “quem?”.
  • Indeterminado – é aquele em que, apesar de o predicado lhe fazer referência, não se consegue identificar de quem se trata.
  • Inexistente – é aquele a quem o predicado não fez referência, por isso não se pode identificá-lo na frase.

A seguir, detalharemos mais cada um desses tipos.

 

Tipos de sujeito – Sujeito determinado

Antes de abordarmos os tipos de sujeito determinado, precisamos nos recordar sobre como localizar o núcleo do sujeito.

Localizando o núcleo do sujeito

Para quem não se recorda, o núcleo do sujeito é a palavra mais importante do sujeito. Geralmente ele é representado por um substantivo. Vejamos um exemplo:

                                                O menino chutou a bola.

Como já vimos, o primeiro passo para a análise é a identificação do sujeito. Para isso, é preciso localizar o verbo, que, neste caso é “chutou”. Em seguida, fazemos as perguntas que já tínhamos mencionado anteriormente, chegando assim à conclusão de que o sujeito dessa frase é “o menino”.

Ocorre que “o menino” ´tem duas palavras e anteriormente nós havíamos mencionado que o núcleo costuma ser um substantivo. Nesse caso, em “o menino”, apenas “menino” é um substantivo, pois “o” é artigo. Desse modo, “menino” é o núcleo do sujeito.

Por isso, atente para o fato de que o que determina a quantidade de núcleos do sujeito não é a quantidade de palavras que ele possui. Para exemplificar essa afirmação, veja o seguinte exemplo:

Meus dois queridos amigos vieram aqui hoje.

Ao localizar o sujeito, você possivelmente já identificou que se trata de “Meus dois queridos amigos”. Temos, portanto, quatro palavras. Já sabemos que o fato de o sujeito ter quatro palavras não é indicativo de que tenha quatro núcleos, pois, como já mencionamos, é o substantivo que faz o papel de núcleo.

Por isso, no exemplo que segue, só uma das quatro palavras é substantivo. Ou seja, o sujeito, apesar de ter quatro palavras, tem um núcleo apenas. Como forma de esclarecimento, veja quais são as classes das demais palavras:

– Meus: pronome possessivo.

– Dois: numeral.

– Queridos: adjetivo.

Tipos de sujeito determinado – Sujeito e Predicado

Os sujeitos determinados podem ser de três tipos:

  1. Simples;
  2. Compostos;
  3. Implícitos.

 

  1. A) Sujeito Simples – Sujeito e Predicado

São denominados simples aqueles sujeitos que possuem apenas um núcleo. Dessa forma, em “O menino chutou a bola”, temos um sujeito que possui duas palavras, mas apenas um núcleo. A isso chamamos de sujeito simples.

 

  1. B) Sujeito Composto – Sujeito e Predicado

Caso tivéssemos a frase “Ana e Lucia fizeram o bolo”, ao fazer a identificação do sujeito, teríamos “Ana e Lucia” como sujeitos da oração. Nesse caso, apesar de o sujeito ter três palavras, apenas duas delas são substantivos.

Isso significa que, nesta frase, o sujeito tem dois núcleos, classificando-se assim como composto. Portanto, o sujeito composto é aquele que possui dois ou mais núcleos.

 

  1. C) Sujeito Implícito

Agora que já conseguimos identificar as diferenças entre os sujeitos simples e compostos, falaremos acerca do último tipo de sujeito determinado, o qual denomina-se implícito. Algumas gramáticas o denominam como sujeito oculto ou também como sujeito desinencial. Outras o entendem mais um tipo do sujeito simples.

Na frase “Fiz um bolo ontem.”, ao tentar localizar o verbo para a identificação do sujeito, você deve ter percebido que, embora seja possível saber que “eu” é o sujeito, ele não está expresso na frase. Na verdade, ele está embutido na desinência do verbo. Nesse sentido, o sujeito está determinado, bem como implícito.

 

Tipos de sujeito – Sujeito indeterminado

Existem duas formas de tornar o sujeito indeterminado.

  1. A) Forma número 01: usar o verbo na terceira pessoa do plural.

Observe a frase:

Falaram mal de você.

Nesse caso, tem-se sujeito indeterminado, pois sabe-se que alguém praticou a ação, mas não se consegue definir quem o fez. Mas observe sempre o contexto para verificar se termos já mencionados anteriormente não estão fazendo o papel de sujeito. Veja o exemplo que segue:

            Seus parentes são pessoas estranhas. Falaram mal de você.

Note que, neste caso, o sujeito da frase está expresso na frase anterior. Assim sendo, ele não é indeterminado.

 

  1. B) Forma número 02: colocar o verbo na terceira pessoa do singular acrescido do pronome “se”.

Como em “Precisa-se de empregados.”

Mas também nesse caso você precisa atentar para detalhes, pois nem todo verbo na terceira pessoa acrescido do pronome “se” torna o sujeito indeterminado. Então, como saber isso?

Preste atenção ao seguinte: o “se” pode ser duas coisas. Ora ele funciona como partícula apassivadora, ora como índice de indeterminação do sujeito. Logicamente, só teremos sujeito indeterminado no segundo caso. Então, como distinguir um do outro?

A chave para isso é observar o verbo da frase, se ele vem acrescido de preposição ou não. Olhe os dois exemplos abaixo:

Precisa-se de empregados.

Vendem-se casas.

Olhando para os dois exemplos, primeiro identifique os verbos que, nessas duas sentenças são, respectivamente, “precisa” e “vendem”. A partir daí, observe qual deles vem acompanhado da preposição.

Você vai concluir que só “precisar” vem com a preposição “de” e que “vender” vem desacompanhado de preposição. Nesse caso, só o “se” de “precisar” é índice de indeterminação do sujeito. O “se” de “vender” é partícula apassivadora.

Agora você já tem um macete. Para identificar se o “se” é partícula apassivadora ou índice de indeterminação do sujeito, você precisa conferir a presença da preposição na frase. Se ela estiver presente, o sujeito será indeterminado.

Tipos de  sujeito – Sujeito inexistente – Sujeito e Predicado

Também chamado de oração sem sujeito. Listaremos para você os casos mais comuns:

  1. A) Uso de verbos que indiquem fenômeno da natureza, como nevar, chover ou amanhecer, por exemplo:

Choveu muito ontem.

Nevou durante toda a manhã.

Note que só haverá sujeito inexistente se os verbos que indicam fenômeno da natureza estiverem, de fato, fazendo esse papel. Caso estejam sendo empregados em outro sentido, poderá haver sujeito.

Choveram críticas à atitude do secretário de segurança.

No caso acima, “críticas” é o sujeito do verbo chover.

  1. B) Verbos ir, haver e fazer indicando tempo passado.

Esses verbos indicarão sujeito inexistente se houver referência a tempo passado. Em caso negativo, haverá sujeito normalmente. Veja:

Com sujeito                                                              Sem sujeito

Há muito tempo que ela não vem.                           Havíamos feito o trabalho.     

Faz dois anos que não a vejo.                                            Ana fez um bolo.

 

  1. C) Verbo haver, quando tiver sentido de existir.

Houve um acidente na estrada

  1. D) Verbo ser indicando tempo ou distância.

Foram duas horas caminhando até a casa.

Eram três da tarde.

Predicado – Sujeito e Predicado

Como mencionamos, o predicado é aquilo que se fala do sujeito. Nós o localizamos da seguinte forma: ele é tudo o que sobra da frase ao retirarmos o sujeito.

Há três tipos de predicado e os detalharemos a seguir. Antes, para compreendê-los, é preciso revisar os conhecimentos sobre verbo e predicativo.

Verbos significativos e de ligação – Sujeito e Predicado

Começaremos falando sobre os verbos. Há basicamente dois tipos: os significativos e os de ligação.

São chamados de significativos os verbos que designam uma ação. Se eles designarem um estado ou mudança de estado, são considerados verbos de ligação. Veja os exemplos:

O menino chutou a bola.

A garota é simpática.

Primeiramente, identificaremos o verbo que, nos exemplos acima, são “chutou” e “é” respectivamente. A partir daí, é possível perceber que “chutar” caracteriza uma ação, diferentemente de “é”.

“É” corresponde a um estado, algo inerente à essência, ao temperamento da garota. Nesse caso, “chutou” é um verbo significativo, ao passo que “é” é considerado um verbo de ligação.

Mas perceba que é necessário sempre avaliar o contexto em que os verbos estão sendo empregados. “Virar” está na lista dos verbos de ligação, assim como ser, estar, ficar, permanecer, parecer e continuar. Porém, observe os exemplos abaixo:

Ele virou atleta.

O barco virou.

No primeiro exemplo, “virar” está, de fato, sendo empregado como verbo de ligação, por representar uma mudança de estado. Mas, no segundo caso, ele está funcionando como verbo significativo, representando a ação de virar.

Daí a importância de sempre analisar o contexto e não apenas decorar uma lista de verbos. A decoreba nem sempre vai funcionar.

 

Predicativos – Sujeito e Predicado

Agora trataremos dos predicativos. O predicativo é uma qualidade ou característica que se atribui ao sujeito ou ao objeto. Por exemplo:

A aluna é excelente.

O juiz julgou o réu culpado.

Começaremos analisando a primeira frase. Nela, “a aluna” é o sujeito, sendo o predicado composto por “é excelente”. O verbo “é” representa estado, sendo, portanto, de ligação. “Excelente” refere-se à aluna. É uma qualidade que se atribuiu a ela. Essa qualidade recebe o nome de predicativo. Trata-se de predicativo do sujeito porque “excelente” refere-se à aluna e este termo é o sujeito da frase.

Agora faremos a análise da segunda frase. Começaremos pela localização do sujeito, que é “o juiz”. O predicado é “julgou o réu culpado”. “Julgou” é o verbo da frase e “o réu” completa o sentido de “julgou”. Os termos que completam o sentido do verbo são chamados de objeto.

Mas note que a palavra “culpado” não está completando o sentido de “julgou” e sim atribuindo ou esclarecendo uma informação sobre “o réu”. Nesse caso, “culpado” é um predicativo. Como esta palavra se refere ao objeto e não ao sujeito, trata-se de predicativo do objeto.

Agora, depois de ter revisado esses pontos importantes do assunto, podemos retornar aos três tipos de predicado.

Predicado verbal – Sujeito e Predicado

Esse primeiro tipo de predicado ocorre quando seu núcleo é um verbo significativo.

O menino chutou a bola.

No exemplo acima, o predicado é composto por “chutou a bola”. Nesse caso, “a bola” completa o sentido do verbo “chutar”. Não existe, nesta sentença, predicativo. O núcleo deste predicado é o verbo.

 

Outros exemplos de predicado verbal:

Os candidatos estudam para a prova.

Todos fizeram a avaliação ontem.

Obs.: Predicado sublinhado e núcleo do predicado em negrito.

Predicado nominal – Sujeito e Predicado

O núcleo deste tipo de predicado é sempre um predicativo. Além disso, ele vem acompanhado de verbo de ligação. Em “A aluna é excelente” temos um predicado composto por “é excelente”, ou seja, por um verbo de ligação e um predicativo do sujeito.

Dessa forma, como o verbo, por não ser significativo, não pode ser núcleo do predicado, cabe ao nome “excelente” sê-lo.

Outros exemplos de sentenças com predicado nominal:

Os concurseiros estão exaustos.

Todos os candidatos são muito persistentes.

Obs.: Predicado sublinhado e núcleo do predicado em negrito.

Predicado verbo-nominal – Sujeito e Predicado

É aquele que possui dois núcleos: um nome e um verbo significativo. Em “O juiz julgou o réu culpado”, por exemplo, temos um predicado verbo nominal, cujos núcleos são o verbo significativo “julgou” e o nome “culpado”, que é predicativo do objeto.

Outros exemplos de predicado verbo-nominal:

Os estudantes esperavam o resultado da prova ansiosos.

Ela recebeu feliz o resultado final.

 

Obs.: Predicado sublinhado e núcleos do predicado em negrito.

 

Esperamos ter ajudado você a compreender esse assunto e a ter tornado mais fácil a compreensão de um tema que ainda assusta muitos candidatos. Até o próximo post.